Conduzido por sensações parei. Parei para pensar no que sentia. Senti que parei. Deixei de sentir...
sexta-feira, agosto 13, 2010
segunda-feira, julho 19, 2010
Sou eu ou tu. Sentimento é paragem numa viagem deterministica. Razão é sentido e sabedoria velocidade e eu sou tu desprovido de ambos, não envelhecendo, não vivendo o futuro, preso a um constante presente, com medo de enfrentar o passado mascarado de eterno futuro...
Repudio o corpo e os membros de ideias dentro das fonteiras da racionalidade...que hajam acordos de Schengen para os subjectivismos e que a inteligência não se centre na cabeça, mas desça ao restante corpo e termine nas unhas dos pés...
É uma mancha, essa no teu casaco que prolifera até ao braço, antebraço, onde uma peninsula de tecido se dilui em pele humana rasgada, também esta, pela fúria de uma prosa escrita em água salgada. A perna é coto que culmina em pé torto, não permitindo às palavras caminharem a bom porto. Farol é entrelinha que mantém o queixo erguido e peito é coragem de um marinheiro cujo braço ergue uma nação...
Aplausos difusos, enevoados atraves de lentes garrafais, pendurados por maos grisalhas como os panos que acolhem os actores idosos...sao lamurias que instigam a facil analogia, estirpes domesticas de esteriotipos domesticados por anos de travessias linguisticas por aguas poluidas...limpemos o planeta....comecemos pelas palavras!!!!!!
Repudio o corpo e os membros de ideias dentro das fonteiras da racionalidade...que hajam acordos de Schengen para os subjectivismos e que a inteligência não se centre na cabeça, mas desça ao restante corpo e termine nas unhas dos pés...
É uma mancha, essa no teu casaco que prolifera até ao braço, antebraço, onde uma peninsula de tecido se dilui em pele humana rasgada, também esta, pela fúria de uma prosa escrita em água salgada. A perna é coto que culmina em pé torto, não permitindo às palavras caminharem a bom porto. Farol é entrelinha que mantém o queixo erguido e peito é coragem de um marinheiro cujo braço ergue uma nação...
Aplausos difusos, enevoados atraves de lentes garrafais, pendurados por maos grisalhas como os panos que acolhem os actores idosos...sao lamurias que instigam a facil analogia, estirpes domesticas de esteriotipos domesticados por anos de travessias linguisticas por aguas poluidas...limpemos o planeta....comecemos pelas palavras!!!!!!
Através de uma lente, amplio um suspiro, metamorfoseando-o em grito, perdendo expressão como um pequeno fogo consumido por um dossel de fumo que me ergue ao pedestal onde o sacerdote me aguarda...é o rito do anel no dedo certo quando o errado apontou a parceira no momento indevido...beijo-lhe o coração através de lábios de cera, derretendo em ociosos laivos de sensualidade, esperando o dia da sua partida com o lenço branco, sacudido sem a paz merecida...
segunda-feira, maio 03, 2010
Hoje sou eu que, vaso partido, já não me reponho na forma original...de Lavoisier apenas sobraram memórias de teorias perdidas em determinismos lavrados entre palmas de mãos sujas de terra quente...cuspo ao vento escárnios às entidades ausentes, omnipresentes nas consequências que me calcam os ombros...fraquejo, soçobro enterrando os braços em terra húmida e colhendo a semente de uma morte anunciada a dois...
Escrevi uma carta sem letras, porque da minha caneta sairam apenas fantasmas, odios apaixonados, paixoes utopicas que voam acima da esfera do real, pesadelos que apagaram as linhas das folhas e as deixaram brancas...
E’ a minha caneta muda que chora, e e’ a folha que a abraca sem saber o porque...
Tive que limpar o cerebro com a escova da indiferenca, limar a raiva com as entrelinhas, escritas entre sorrisos cumplices que me acaloravam a pele, em dias frios, aquecidos pela palavra, abraco de todos os sons que expelia em comunhao contigo...Para me manter vivo, mantive-te comigo, de maos cheias em cima do peito, para que do meu coracao nao se esvaisse o sentimento que me roubaste...roubei-te eu uma ideia que ja nao existia, e tu partiste, partiste-me o coracao, porque so assim podias ser livre...
Colhi memorias, cheirei-as, reguei-as, acariciei-lhes as petalas e conduzi-as onde a luz se apaga, porque estas crescem melhor em noites de lua gorda...
Com o peito dilacerado pela eterna escuridao, fugindo de uma folha que exige dialogo, caminho eu, rumo ao monologo mudo, surdo e cego com as maos cheias de ramos de memorias que vao perdendo as suas petalas…
E’ a minha caneta muda que chora, e e’ a folha que a abraca sem saber o porque...
Tive que limpar o cerebro com a escova da indiferenca, limar a raiva com as entrelinhas, escritas entre sorrisos cumplices que me acaloravam a pele, em dias frios, aquecidos pela palavra, abraco de todos os sons que expelia em comunhao contigo...Para me manter vivo, mantive-te comigo, de maos cheias em cima do peito, para que do meu coracao nao se esvaisse o sentimento que me roubaste...roubei-te eu uma ideia que ja nao existia, e tu partiste, partiste-me o coracao, porque so assim podias ser livre...
Colhi memorias, cheirei-as, reguei-as, acariciei-lhes as petalas e conduzi-as onde a luz se apaga, porque estas crescem melhor em noites de lua gorda...
Com o peito dilacerado pela eterna escuridao, fugindo de uma folha que exige dialogo, caminho eu, rumo ao monologo mudo, surdo e cego com as maos cheias de ramos de memorias que vao perdendo as suas petalas…
terça-feira, janeiro 05, 2010
Fosses tu flor, seria eu vaso basso camuflado em terra, meio enterrado, meio perdido, escondido da observação de nome sentimento, ilustrando a vida com balões de vozes surdas, especado à porta da memória com receio de entrar, tímido entre os meus, ignorado entre os demais, banido do horizonte pela não existência, aprisionado à minha inércia, livre apenas na morte que evita o meu olhar...
Com que forma de corpo recebes alguem que nao é ninguem para ti quando o teu proprio corpo ja nao reconheces? idade é arte que esculpe em carne, que eu desejava na arte do prazer...
Com que forma de corpo recebes o teu quando o espelho envergonhado apaga a tua imagem, como apagador de um quadro numa escola primária?
Com que forma de corpo recebes o teu quando o espelho envergonhado apaga a tua imagem, como apagador de um quadro numa escola primária?
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Fios de palha ondulados pela brisa
que tortura a virilidade aguçada...
num Inverno escondido entre raios de sol...
São elas que se vergam...
ceifando maturidade num campo amarelo...
Os cestos saem pela moldura agreste...
em pinceladas largas...
carregados pelos braços, que são ampulhetas...
num tempo que não se esvai...
que se repete em cada gesto...
O céu é candeeiro, que aceso range...
tais cigarras, que acasalam uma nova manhã...
tão igual às que hão de vir...
E geada é verbo...é madrugar, renascer em branco...
ser virgem num parto difícil...
que tortura a virilidade aguçada...
num Inverno escondido entre raios de sol...
São elas que se vergam...
ceifando maturidade num campo amarelo...
Os cestos saem pela moldura agreste...
em pinceladas largas...
carregados pelos braços, que são ampulhetas...
num tempo que não se esvai...
que se repete em cada gesto...
O céu é candeeiro, que aceso range...
tais cigarras, que acasalam uma nova manhã...
tão igual às que hão de vir...
E geada é verbo...é madrugar, renascer em branco...
ser virgem num parto difícil...
quinta-feira, agosto 16, 2007
Uma noite estava ela posicionada para desdizer o que havia sido dito antes. Desdisse e predisse que as palavras não proferidas seriam as saídas da minha boca...
Ruptura era aquela mão que a minha falta sentia. Olhar hoje mais não. Amanhã tampouco. Depois és tu, outra vez, sem vez por demais. Amor que salta ao eixo, fugindo de um queixo trémulo, sem carne encontrar. Platonismo é mesmo isso, compreender que os olhos comem para que a alma permaneça faminta. E mendigo sou eu, que suplica pela bússola partida.
Uma noite estava eu posicionado para repetir o que havia sido escrito antes. Ao lado o copo vazio, no outro o corpo intoxicado. Toquei acordes num instrumento de vácuo. A falsa timidez escondeu-me cada sentimento num saco. E ela lendo os meus ombros que encolhem com a indiferença, idade como primeiro nome, fugiu mantendo o corpo ali...estanque.
Exaurir é sugar o gosto de cada um, chamá-lo de insípido e perdê-lo num instante por uma eternidade. É rebaixarmo-nos, assentar desertas mãos nos joelhos nus e esperar que o amor nos calque as costas, nos vergue ao miserável nunca.
Ruptura era aquela mão que a minha falta sentia. Olhar hoje mais não. Amanhã tampouco. Depois és tu, outra vez, sem vez por demais. Amor que salta ao eixo, fugindo de um queixo trémulo, sem carne encontrar. Platonismo é mesmo isso, compreender que os olhos comem para que a alma permaneça faminta. E mendigo sou eu, que suplica pela bússola partida.
Uma noite estava eu posicionado para repetir o que havia sido escrito antes. Ao lado o copo vazio, no outro o corpo intoxicado. Toquei acordes num instrumento de vácuo. A falsa timidez escondeu-me cada sentimento num saco. E ela lendo os meus ombros que encolhem com a indiferença, idade como primeiro nome, fugiu mantendo o corpo ali...estanque.
Exaurir é sugar o gosto de cada um, chamá-lo de insípido e perdê-lo num instante por uma eternidade. É rebaixarmo-nos, assentar desertas mãos nos joelhos nus e esperar que o amor nos calque as costas, nos vergue ao miserável nunca.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Tão próximo. Toco-lhe. Esvai-se entre dedos rígidos. Desaparece. Reaparece cheia. Vazia de intenção. Cubro-lhe as costas de um peito de vácuo. Ao par de uma das mãos junto o ímpar do meu desejo. Desejo-o. Desejo-a. As asas quebram. Cai. Rasteja pela morte. Eleva-se num dos superlativos do estereotipo de divino. As nuvens são anjos que a choram. Eu derramo lágrimas que são anjos virgens, perdidos nos meus sentimentos. Sinto que perco. Ganho alento para perder novamente. Toco o chão como se fosse céu. Céu é chão pintado de sonho. E, por isso, durmo.
terça-feira, julho 17, 2007
Cosi a minha alma com a tua...
pontos sem cruz, trilhando os pudores da entrega
sem o remorso do tabu...
vesti-te com a minha pele encharcada no teu fulgor...
insuflando pulmões de desejo e ruborizando a lividez de uma morte anunciada...
morro eu ou tu...
mas não a relação que aceso me manteve...
Cacei a nossa sobrevivência, na ilusão que a ilusão dos outros era...
real éramos nós...
num sonho sonhado em conjunto por almas cosidas a dois...
pontos sem cruz, trilhando os pudores da entrega
sem o remorso do tabu...
vesti-te com a minha pele encharcada no teu fulgor...
insuflando pulmões de desejo e ruborizando a lividez de uma morte anunciada...
morro eu ou tu...
mas não a relação que aceso me manteve...
Cacei a nossa sobrevivência, na ilusão que a ilusão dos outros era...
real éramos nós...
num sonho sonhado em conjunto por almas cosidas a dois...
quinta-feira, julho 05, 2007
Estou aqui sentado partido em dois ou três ou...inteiro, mas em pé parti, e sempre sentado...
deslocado, colocado mal a palavra foi proferida...em mim...
sofri nesta pele branda o som anichado em dois dos ouvidos, que em stereo chafurdaram nas minhas entranhas...
a auto estrada de sensibilidade fez-me rural, isolando-me entre florestas embrutecidas...
que abracei para amar eternamente a sobrevivência...mesmo morto...e eternamente sentado...
Cacos são bocados, que colados formam o todo...Eu, caco já não sou, porque de mim se perdeu o todo...sou o ausente frémito do espectro de uma existência a quem chamam 'eu'...
quando 'eu' sou o 'tu' ou o 'ele' desalojo-me e procuro o 'outro'...ou assumo o 'ninguém', porque o nome é maior e assenta-me melhor...e digo e repito que do menos o mal e que do pouco, esquecido no muito, se forma novamente o todo...sentado, em pé...morto...vivo...tanto faz, desde que o 'eu' se perda no 'ninguém'...
deslocado, colocado mal a palavra foi proferida...em mim...
sofri nesta pele branda o som anichado em dois dos ouvidos, que em stereo chafurdaram nas minhas entranhas...
a auto estrada de sensibilidade fez-me rural, isolando-me entre florestas embrutecidas...
que abracei para amar eternamente a sobrevivência...mesmo morto...e eternamente sentado...
Cacos são bocados, que colados formam o todo...Eu, caco já não sou, porque de mim se perdeu o todo...sou o ausente frémito do espectro de uma existência a quem chamam 'eu'...
quando 'eu' sou o 'tu' ou o 'ele' desalojo-me e procuro o 'outro'...ou assumo o 'ninguém', porque o nome é maior e assenta-me melhor...e digo e repito que do menos o mal e que do pouco, esquecido no muito, se forma novamente o todo...sentado, em pé...morto...vivo...tanto faz, desde que o 'eu' se perda no 'ninguém'...
segunda-feira, junho 18, 2007
...tropeçava pela centésima vez. Esta hipérbole servia o interesse de realçar o cansaço que era levantar-se cada vez que a carcaça envelhecida, sinónimo de corpo, se prostrava no chão humedecido. A idade dele não era real. Tinha ultrapassado a sua noção de tempo de tal forma que, se lhe perguntassem o quão velho ele era, a resposta era dada em forma de reticências...
O saco de pano gasto, que o velho (chamemos-lhe assim, já que os nomes são para os géneros) arrastava, continha o seu passado, presente e, mais importante, o que restaria do seu futuro. O peso era, obviamente, heterogéneo. O passado puxava o saco para trás, o presente para baixo e o futuro...esse era leve e, se dependesse dele, ergueria o velho e transportá-lo-ia tal zepelin levado pelo vento.
Tropeçou novamente. Só que desta vez a queda assumiu contornos deintescos. Largou o saco, bateu com a cabeça e a amnésia levou-lhe o passado. O presente turvava, tal neblina, e o que se haveria de seguir não era afoito suficiente para se por a adivinhar.
Sentiu-se levar pelo vento, arrebatado tal folha velha expelida pela árvore da vida. Foi usurpado na forma, fundido no desejo.
Hoje o vento é velho e o velho é vento...
O saco de pano gasto, que o velho (chamemos-lhe assim, já que os nomes são para os géneros) arrastava, continha o seu passado, presente e, mais importante, o que restaria do seu futuro. O peso era, obviamente, heterogéneo. O passado puxava o saco para trás, o presente para baixo e o futuro...esse era leve e, se dependesse dele, ergueria o velho e transportá-lo-ia tal zepelin levado pelo vento.
Tropeçou novamente. Só que desta vez a queda assumiu contornos deintescos. Largou o saco, bateu com a cabeça e a amnésia levou-lhe o passado. O presente turvava, tal neblina, e o que se haveria de seguir não era afoito suficiente para se por a adivinhar.
Sentiu-se levar pelo vento, arrebatado tal folha velha expelida pela árvore da vida. Foi usurpado na forma, fundido no desejo.
Hoje o vento é velho e o velho é vento...
quinta-feira, junho 07, 2007
E, foi assim, que um dia parti para o nunca...
pisando cacos de uma luz apagada...
tacteando; puxando os fios suspensos num céu ausente...
com a esperança de me acender em fogo...de ser o sol, centrado em mim...
voyeur protegido das vidas de mimos gestos genealógicos, cópias perfeitas de ritos inquestionáveis...
com a esperança de atrasar a decifração de um sentimento, remetido, por carta, à exclamação erigida à sombra de uma interrogação por colorir...
E, aos números que assinalam as cores correctas, converti-os em sons...pintei bocejares aos atentos, e atenções desmedidas aos apáticos...
fechei o infantil livro da vida real e folheei o diário do morto...daquele que viveu e nunca se repetiu...
e hoje, perdido no nunca, aplaudo o ausente...único realmente presente...
pisando cacos de uma luz apagada...
tacteando; puxando os fios suspensos num céu ausente...
com a esperança de me acender em fogo...de ser o sol, centrado em mim...
voyeur protegido das vidas de mimos gestos genealógicos, cópias perfeitas de ritos inquestionáveis...
com a esperança de atrasar a decifração de um sentimento, remetido, por carta, à exclamação erigida à sombra de uma interrogação por colorir...
E, aos números que assinalam as cores correctas, converti-os em sons...pintei bocejares aos atentos, e atenções desmedidas aos apáticos...
fechei o infantil livro da vida real e folheei o diário do morto...daquele que viveu e nunca se repetiu...
e hoje, perdido no nunca, aplaudo o ausente...único realmente presente...
terça-feira, dezembro 26, 2006
Se naquele verso fui feliz, quero reescrevê-lo...
quero que essa passagem seja a introdução de cada dia do meu diário...
Se naquela música fui feliz, quero voltar a escutá-la...
quero poder manobrar a faixa da vida e manter a melodia...
Se ao contemplar aquele quadro fui feliz, quero fazer parte dele...
quero penetrar nas entranhas de óleos de cores familiares e imortalizar-me entre as pinceladas do destino...
Se naquela estação fui feliz, quero poder manobrar a calvicie das arvores...
quero mediar a temperatura do ar, quero inspirar nuvens e soprar a chuva...
Se naquela praia fui feliz, quero construir a minha casa à beira-mar...
quero escutar as marés e cheirar a sal...
Se naquele corpo fui feliz, quero manter o espelho igual à fotografia da minha memória...
quero copiar o sorriso, os gestos e as palavras dessa imagem...
Se naquela falta de lúcidez fui feliz, quero ser louco...
despir-me de bom senso e caminhar nu entre esgares de semelhantes...
desatentos aos seus momentos de felicidade...
quero que essa passagem seja a introdução de cada dia do meu diário...
Se naquela música fui feliz, quero voltar a escutá-la...
quero poder manobrar a faixa da vida e manter a melodia...
Se ao contemplar aquele quadro fui feliz, quero fazer parte dele...
quero penetrar nas entranhas de óleos de cores familiares e imortalizar-me entre as pinceladas do destino...
Se naquela estação fui feliz, quero poder manobrar a calvicie das arvores...
quero mediar a temperatura do ar, quero inspirar nuvens e soprar a chuva...
Se naquela praia fui feliz, quero construir a minha casa à beira-mar...
quero escutar as marés e cheirar a sal...
Se naquele corpo fui feliz, quero manter o espelho igual à fotografia da minha memória...
quero copiar o sorriso, os gestos e as palavras dessa imagem...
Se naquela falta de lúcidez fui feliz, quero ser louco...
despir-me de bom senso e caminhar nu entre esgares de semelhantes...
desatentos aos seus momentos de felicidade...
Isto de sentir tem que se lhe diga...
Dá aroma à vida e odor à morte...
Transforma-me numa lebre que corre sem rumo,
Fugindo do rugir do inevitável...
Daquele que se esconde à porta...numa qualquer porta...
E eu, embrulhado no sonho que partilho contigo...
Num qualquer daltonismo expressivo...
Tento construir o puzzle do arco-iris, alinhando-o com o olfacto...
Isto de sentir cria fé no céptico...
Fazendo crer que à noite se edificam as reais vidas que o dia subverte...
e a almofada, que suaviza o pensamento,
adiando o ponto final de uma prosa de fim adiável,
é o cofre dos imundos mundos agrilhoados à manhã seguinte...
E eu, a lebre assustada, corro sobre palavras soltas...
sobre palavras que me devorarão no momento em que o sol morrer...
Dá aroma à vida e odor à morte...
Transforma-me numa lebre que corre sem rumo,
Fugindo do rugir do inevitável...
Daquele que se esconde à porta...numa qualquer porta...
E eu, embrulhado no sonho que partilho contigo...
Num qualquer daltonismo expressivo...
Tento construir o puzzle do arco-iris, alinhando-o com o olfacto...
Isto de sentir cria fé no céptico...
Fazendo crer que à noite se edificam as reais vidas que o dia subverte...
e a almofada, que suaviza o pensamento,
adiando o ponto final de uma prosa de fim adiável,
é o cofre dos imundos mundos agrilhoados à manhã seguinte...
E eu, a lebre assustada, corro sobre palavras soltas...
sobre palavras que me devorarão no momento em que o sol morrer...
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Esta minha imagem não sou eu...
o espelho mente-me...
ilude-me, traçando com o vapor as brumas das lembranças esquecidas...
o que vejo são partículas de cor, que derretem numa mescla de escuridão...
e o que vejo são mosaicos, que embrulham o quadro contemplado pelos seres sem rosto...sentimentos que escorrem na frieza do objecto usurpador da verdade, perdendo-se no ralo anestésico...
Esta imagem, que corgita o alimento da alma, é o rumor dos caminhos alegremente não percorridos...tristemente esboçados pela vontade...
e o espelho prende-me...
molda os meus gestos, guia-me os membros e usurpa-me a vontade...
controla-me, gerindo os meus movimentos com os cordeis da resignação...
o que vejo são as imagens por ele projectadas...numa eterna mas falsa felicidade...
e o que vejo é a moldura, de um quadro inacabado, escrever numa exclamação as reticências da minha existência...
o espelho mente-me...
ilude-me, traçando com o vapor as brumas das lembranças esquecidas...
o que vejo são partículas de cor, que derretem numa mescla de escuridão...
e o que vejo são mosaicos, que embrulham o quadro contemplado pelos seres sem rosto...sentimentos que escorrem na frieza do objecto usurpador da verdade, perdendo-se no ralo anestésico...
Esta imagem, que corgita o alimento da alma, é o rumor dos caminhos alegremente não percorridos...tristemente esboçados pela vontade...
e o espelho prende-me...
molda os meus gestos, guia-me os membros e usurpa-me a vontade...
controla-me, gerindo os meus movimentos com os cordeis da resignação...
o que vejo são as imagens por ele projectadas...numa eterna mas falsa felicidade...
e o que vejo é a moldura, de um quadro inacabado, escrever numa exclamação as reticências da minha existência...
sexta-feira, setembro 15, 2006
lambo o vapor que transpira da forma disforme que me chupa a pele, que me descobre a vergonha...
e espero os comboios que traçam linhas em solos vermelhos de sangue...
atento aos viciados na vida que as inalam e gritam pragas de gafanhotos expelidas de poços sem luz...
viajo entre flashes fotográficos por espaços indefinidos, olhando através de janelas que me desvendam coreografias de rupturas passadas...
até que a alma de uma escada perdida me localize a estação invisivel...
o destino presenteado no palco dourado, adornado pelo odor de uma ode de dor...
e espero os comboios que traçam linhas em solos vermelhos de sangue...
atento aos viciados na vida que as inalam e gritam pragas de gafanhotos expelidas de poços sem luz...
viajo entre flashes fotográficos por espaços indefinidos, olhando através de janelas que me desvendam coreografias de rupturas passadas...
até que a alma de uma escada perdida me localize a estação invisivel...
o destino presenteado no palco dourado, adornado pelo odor de uma ode de dor...
domingo, setembro 10, 2006
Humedecida a pena com o pesar do autor...
que amontoa palavras do desconforto que é amar sem ser amado...
como se tal fosse uma obrigação do escravo poeta...
daquele que carrega o pecado da paixão da humanidade nas costas vergadas pela responsabilidade...
E é ele...o falso poeta...que observa aquela forma feminina...a quem ele chama mulher...
E é ela...o monstro, um conjunto de retalhos platonicos e imagens de memorias carcumidas pelo esquecimento...que se eleva lentamente ao pedestal do poema malogrado...
Ele, aliciado por meretrizes frases que lhe concedem a vontade a troco do engano,
esboça o último sorriso, antes que a pena pese demais e continue a descrever o quão desconfortável é amar sem ser amado...
que amontoa palavras do desconforto que é amar sem ser amado...
como se tal fosse uma obrigação do escravo poeta...
daquele que carrega o pecado da paixão da humanidade nas costas vergadas pela responsabilidade...
E é ele...o falso poeta...que observa aquela forma feminina...a quem ele chama mulher...
E é ela...o monstro, um conjunto de retalhos platonicos e imagens de memorias carcumidas pelo esquecimento...que se eleva lentamente ao pedestal do poema malogrado...
Ele, aliciado por meretrizes frases que lhe concedem a vontade a troco do engano,
esboça o último sorriso, antes que a pena pese demais e continue a descrever o quão desconfortável é amar sem ser amado...
Este sou eu...o ser perdido, montado na sela do unicornio vendado...
Aquele que gira sobre os átomos do vazio...escondido nos limbos da morte, cujas paredes invisiveis encobrem o meu caminho...
Este sou eu...vagueando nos labirintos das outras vidas...
negligenciando as respostas dadas a perguntas que não ousarei colocar...
e desenhando aqueles falsos sorrisos sobre vultos negros...cuja real expressão aguça o esquecimento...
Este sou eu...o ser perdido,aquele que apaga memorias de genes, que me traçam deterministicamente os passos que nunca darei...
Sou eu...aquele que lava a vergonha com o sabão do remorso...que esfrega a sujidade do tecido da vida...que chora sem saber o porquê...nem porque me escondo...
Este sou eu...o que atenta, a medo, para a forma como as sombras me rasgam a pele e me descobrem as entranhas...e, mesmo molhado pela chuva da verdade, se esconde e desdenha de uma nova oportunidade...
Aquele que gira sobre os átomos do vazio...escondido nos limbos da morte, cujas paredes invisiveis encobrem o meu caminho...
Este sou eu...vagueando nos labirintos das outras vidas...
negligenciando as respostas dadas a perguntas que não ousarei colocar...
e desenhando aqueles falsos sorrisos sobre vultos negros...cuja real expressão aguça o esquecimento...
Este sou eu...o ser perdido,aquele que apaga memorias de genes, que me traçam deterministicamente os passos que nunca darei...
Sou eu...aquele que lava a vergonha com o sabão do remorso...que esfrega a sujidade do tecido da vida...que chora sem saber o porquê...nem porque me escondo...
Este sou eu...o que atenta, a medo, para a forma como as sombras me rasgam a pele e me descobrem as entranhas...e, mesmo molhado pela chuva da verdade, se esconde e desdenha de uma nova oportunidade...
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